Alberto Gómez
A outra Veneza, mágica e escondida
O antigo bairro judeu, Ghetto, deu nome a todos as gauderias do mundo, e é onde foram presos membros desta religião e, por extensão, a todos os lugares onde se isolaram as minorias étnicas, religiosas ou simplesmente diferentes.
Aqui, como, aliás, é lógico em Veneza, as paredes são de água, não de pedra. Canais largos separam o bairro, criado em 1516 e ampliado mais tarde com o Ghetto Nuovo, do resto da cidade.
Aquele isolamento feroz do passado fez com que a área agora seja uma insula dentro dessa outra ilha encantada que é Veneza.
Tudo sem ruído, sem pressa ou apenas turistas, surpreendente em uma cidade colonizada pelas câmeras e passeantes, como Veneza.
Lojas de produtos kosher, uma livraria de textos hebraicos, lojas de objetos de culto e duas sinagogas recebem os turistas neste bairro que, inclusive arquitetonicamente, está longe do cânon veneziano: casas baixas e má aparência, ruas mais estreitas que do resto da cidade, e especialmente silêncio. Muito silêncio.
Como se passássemos por uma porta que nos leva de volta ao século XVI, pouco depois da fundação do bairro, quando o turismo não existia e gritar na rua era próprio só de verdureiros e vendedores ambulantes.
É o lugar mais tranquilo de Veneza. É a outra Veneza. A mágica, escondida. A que não costumam visitar.
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